As 3 Abordagens/modelos principais:
No espaço terapêutico, o técnico usa o respeito para com o paciente para o ajudar a sentir-se valorizado, e se usa a sua autenticidade como pessoa, irá permitir com que o paciente sinta aceitação. O terapeuta, ao usar a sua empatia, ajuda a que o paciente sinta que está preparado para confiar no terapeuta e assim, habilita o paciente a permitir explorar-se a si mesmo, assim como também, a compreender e agir de acordo com o plano elaborado para atingir determinado resultado. Desta forma, o terapeuta já está a usar as 3 principais correntes teóricas em abordagens práticas, ou seja: ao explorar-se inicialmente algo, está a usar-se a Psicodinâmica, que permite regressar ao passado e se necessário trazer algo para o presente. Ao compreender o que se passa, usa-se a Humanística que se baseia nos sentimentos presentes aqui e agora. E por último, ao avaliar-se e escolher-se um caminho a seguir durante o processo, para alcançar determinado objectivo futuro, usa-se a Cognitiva Comportamental.
Num acordo privado e confidencial, existe um verdadeiro compromisso com a relação terapêutica e com todo o processo. E com paciência, o terapeuta capta as dificuldades do ponto de vista do paciente e ajuda-o a clarificar e a ver de um outro ponto de vista, isto é, de um ângulo diferente. Com sensibilidade, percepção, Imaginação e intuição, o terapeuta facilita escolhas ou mudanças e reduz qualquer confusão existente.
A chamada janela de Johari, que como os tradicionais caixilhos de uma janela tem uma divisão de 4 quadradinhos, é uma imagem que serve de exemplo para explicar o que se passa no processo terapêutico com o paciente: um dos 4 quadradinhos da janela, é a área aberta que todos conhecem, ou seja, o que uma pessoa conhece de si e que simultaneamente todos nós vemos nela. O outro quadradinho é uma área que é cega, pois a pessoa não a identifica em si, porém é uma parte dela que nós conseguimos ver. Outro quadradinho é a chamada área escondida, pois a pessoa sabe da sua existência mas esconde, e por isso nós não a vemos. E por último, o 4º quadradinho, é aquela área que é totalmente desconhecida para ambos. Então, para aumentar a auto-consciência num processo de auto-revelação, o paciente é levado a arriscar a sua área que esconde dos outros e a estar receptivo aos feedbacks sobre a sua área cega, aquela que ele desconhece mas que nós vemos nele. E é este duplo processo, que possibilita através de insights e memórias, a descoberta de situações mais profundas que existem na tal área que é desconhecida para ambos, o inconsciente. O resultado é que neste duplo processo, de arriscar o que esconde de si e estar receptivo ao feefbacks do que outros vêm de si, o quadradinho ou a área aberta que simultaneamente todos conhecem e têm consciência vai crescendo, e a última área, a fechada, a desconhecida, vai desaparecendo, revelando-se.
Importante e a ter em conta, é que ao aconselhar, o terapeuta deve explorar e ter sempre várias alternativas. Não discutir, mas antes estar muito preparado para ouvir e focar comportamentos específicos que o cliente seja capas de mudar. Contudo, deve ter cuidado com os conselhos, pois as directivas são apenas aconselhadas em caso de doenças aditivas específicas. Quanto a atitudes comportamentais, valores, princípios ou dificuldades interpessoais, quanto mais os sentimentos forem compreendidos mais será alcançado, pois se sentir é uma coisa, ter conhecimento do sentimento é uma demonstração de grande desenvolvimento pessoal.
E sendo que o terapeuta tem poder e autoridade em virtude do seu papel, este não os deve usar para persuadir o paciente a tomar uma decisão que ele prefira não tomar. Não deve também permitir, desfocar para fora do contexto o objectivo da consulta através da discussão sobre outras pessoas, a não ser que o comportamento delas tenha uma relação directa com o tema. Quanto às experiências pessoais do terapeuta, que podem ser usadas para que o paciente entenda que sabemos sobre o que ele está a dizer, devemos usá-las apenas, quando o paciente desesperadamente procura uma situação específica e não o consegue fazer.
Freud 1856/1939 foi o pioneiro da Psicodinâmica. Criou esta abordagem com o intuito de investigar o inconsciente, convencido de que nele poderia encontrar a origem dos problemas. Iniciou os seus estudos pela utilização da Hipnoterapia. Através da auto-análise que fez a ele mesmo, desenvolveu a Psicanálise que terá sido o começo da Psicoterapia, que mais tarde foi desenvolvida, alterada e adaptada por outros teóricos. Mas essencialmente todos afirmam, que um verdadeiro conhecimento das pessoas e dos seus problemas é possível através de uma compreensão de todas as áreas da psique humana.
Freud estruturou a personalidade em 3 elementos:
O Id, que é a área primitiva da personalidade, que representa o verdadeiro inconsciente, ilógico e cheio de energia instintiva, que constantemente exige reconhecimento e libertação.
O Ego, que se torna mais lógico ao ser refinado, modificado e desenvolvido através do contacto com o mundo exterior, numa real consciência (ou self) do próprio e do mundo que nos rodeia, determinada através da própria experiência individual.
O Super Ego, que se desenvolve a partir dos 3 anos e que se preocupa com a consciência e princípios morais, que são absorvidos através da influência parental.
É através da tensão e conflito que todos nós experimentamos entre estes 3 elementos, que são gerados no indivíduo, as ansiedades e mecanismos de defesa. Na psicodinâmica o objectivo é ajudar o paciente a encontrar um balanço razoável entre os 3 elementos. A ansiedade e os mecanismos de defesa do “ego”, são estratégias que as pessoas usam, em vez de tentarem lidar com os conflitos psico-interiores e reduzirem a ansiedade. O mecanismo de defesa é usado pela pessoa de acordo com o seu conflito particular, distorcendo assim a realidade.
Existe a sublimação, (usada especialmente pelos artistas) existe também a repressão e resistência de memórias dolorosas e traumáticas, e a vergonha associada. Existem também as chamadas associações livres que podem ocorrer no espaço terapêutico durante o processo, tais como cheiros que remetem ao passado, etc. As transferências do passado para o presente, de sentimentos ou atitudes de pessoas significativas para o paciente. As contra transferências, que acontecem ao contrário, sendo o paciente que provoca algo no próprio material do terapeuta. A negação, a projecção, a deslocação, a racionalização, a compensação, a introspecção, etc.
Nesta corrente temos as interpretações de sonhos assim como as regressões, muito utilizadas hoje em dia por exemplo na hipnose ou hipnoterapia.
Freud ao interessar-se pelos sintomas em pacientes de abuso sexual na infância, criou também os estágios de desenvolvimento sexual: O Oral, o Anal, o Fálico, o Latente e o Genital.
Posteriormente a teoria de Freud foi desenvolvida por dois de seus discípulos, Carl Jung 1875/1961 e Alfred Adler 1870/1937. Em Jung, a psicologia analítica, o inconsciente colectivo e os arquétipos. Em Adler, o facto de que na identificação/interpretação do problema, é a maneira como interpretamos os acontecimentos do passado e o significado que damos a essas experiencias que é mais importante. Adler desliga-se de Freud por considerar que este superestima o factor sexual e funda a psicologia do desenvolvimento individual.
Na psicodinâmica a tarefa principal é trazer processos inconscientes para o consciente e identificar as transferências em termos de relacionamentos entre passado e presente.
Erik Erikson 1902/1994 que começou a sua vida como artista plástico, criou a teoria do desenvolvimento psicossocial. Em 1927, depois de estudar arte e viajar pela Europa, passou a leccionar em Viena a convite de Anna Freud, filha de Sigmund Freud e sob orientação dela, submeteu-se à psicanálise e tornou-se, ele próprio, psicanalista, embora tenha tecido criticas à psicanálise por esta não ter em conta as interacções entre o individuo e o meio, assim como por privilegiar os aspectos patológicos e defensivos da personalidade. No início da carreira, o interesse de Erikson esteve na adolescência. A si se deve a expressão "crise da adolescência".
Mais tarde, Erik Erikson criou a teoria do desenvolvimento psicossocial, onde o ciclo de vida do indivíduo e seu desenvolvimento divide-se em 8 estágios:
O 1º estágio vai desde o nascimento até aos 18 meses e a 1ª crise associada a este estágio, é a confiança básica versus desconfiança básica, onde se desenvolve a força básica da esperança.
O 2º estágio e a 2ª crise, vai dos 18 meses aos 3 anos, é a autonomia versus dúvida/vergonha e o objectivo/resultado é o desenvolvimento da vontade.
O 3º estágio, que é a idade de brincar, vai dos 3 aos 6 anos e a crise ou conflito associado é a iniciativa versus culpa e o resultado, o desenvolvimento do propósito.
O 4º estágio ou a idade escolar dos 6 aos 12 anos, tem como crise a diligência versus inferioridade, onde se desenvolve a força ou virtude da competência.
O 5º é a adolescência dos 12 aos 18 anos, onde a crise ou conflito é a identidade versus confusão de identidade e a virtude desenvolvida, a da fidelidade (a si mesmo).
O 6º estágio da idade adulto jovem, vem depois dos 18 e o conflito é a intimidade versus isolamento e a força ou a virtude, é a do amor.
O 7º é o da idade adulta ou meia-idade, que acontece por volta dos 40 anos e a crise é a da generatividade (produtividade) versus estagnação e a virtude é a do cuidado.
O 8º estágio ou a crise final, a partir do 60, é a da integridade versus desespero e a virtude da sabedoria.
Cada crise é um ponto de viragem para lidar com um assunto que é particularmente importante na altura. Estas crises surgem de acordo com o grau de maturação de cada pessoa. Se a pessoa se ajustar às demandas de cada crise, o ego desenvolver-se-á na direcção do próximo estágio. Se alguma crise não se desenvolver satisfatoriamente, uma luta constante, fruto dessa crise, irá afectar o desenvolvimento do ego. A resolução satisfatória de cada crise requer um equilíbrio entre um traço positivo e um negativo correspondente. Embora a qualidade positiva deva sempre predominar, é necessário também desenvolver a qualidade negativa, como por exemplo aprender a confiar e a desconfiar para nos protegermos do perigo.
Em Piaget 1896/1980, como o conhecimento é abordado numa perspectiva psicológica e encarado como um processo, um devir, ele afirma que existe uma interacção entre o sujeito e o objecto. E tendo o sujeito um papel activo na construção do conhecimento, a sua inteligência vai evoluindo em confronto com as experiências do meio.
Nesta Teoria Cognitiva, Piaget apresenta uma teoria construtivista, a psicologia do desenvolvimento da inteligência como adaptação do sujeito ao meio e o desenvolvimento intelectual está relacionado com a génese do conhecimento.
Segundo Piaget, a inteligência, constrói-se progressivamente ao longo do tempo, por estádios e a cada um, correspondem estruturas mentais organizadas, que envolvem diferentes mecanismos. E é graças a este conjunto de diferentes mecanismos, que a inteligência se desenvolve.
Os conceitos fundamentais destes mecanismos são: a inteligência, que encarada como uma adaptação, assegura o equilíbrio entre o organismo e o meio, através da assimilação e da acomodação.
Através da assimilação, o sujeito incorpora os elementos do meio aos esquemas já existentes, integra os dados, as informações que provêm do ambiente, nas suas estruturas cognitivas.
Porém, as estruturas mentais modificam-se em função das situações novas, gerando a acomodação: processo através do qual as estruturas do sujeito, sofrem alterações resultantes da integração dos dados ou informações que provêm do meio. O organismo, ao acomodar-se, submete-se ao meio.
O sujeito assimila do meio e como consequência desta incorporação transforma os seus esquemas mentais, assim, não há acomodação sem assimilação. E para que continuem a processar-se novas assimilações, são necessárias novas estruturas de acomodação.
A equilibração é o mecanismo que regula os dois processos: prepara ou adequada a assimilação à acomodação e vice-versa, permitindo a adaptação do indivíduo ao meio, numa compensação entre as novas aquisições e as anteriores. Piaget dirá que a equilibração é mesmo o factor fundamental no desenvolvimento cognitivo.
A adaptação será o resultado do equilíbrio entre a assimilação e a acomodação, é o processo de equilíbrio interno entre o organismo e o meio, através das actividades ou mecanismos da assimilação e da acomodação.
É através destes conceitos que Piaget vai abordar todo o desenvolvimento cognitivo. Da assimilação e da acomodação resulta sempre um novo equilíbrio, que nunca é idêntico ao anterior, mas que integrou o desconhecido no conhecido, ampliando as capacidades cognitivas. Todo o conhecimento se processa, na perspectiva de Piaget, na busca de novos equilíbrios, os quais resultam de sucessivas assimilações e acomodações. O ser humano possui estruturas que evoluem, amadurecem e dão origem a outras novas, qualitativamente diferentes, que correspondem a novas capacidades intelectuais e a novas possibilidades de operar.
E segundo Piaget, este desenvolvimento intelectual, constrói-se e processa-se ao longo do tempo em 4 estádios sucessivos e que seguem uma determinada ordem, em que cada estádio se distingue qualitativamente das fases anteriores e posteriores.
A cada estádio corresponde um esquema ou um conjunto de estruturas mentais subjacentes aos comportamentos, que organizam a interacção do sujeito com o meio, e uma estruturas cognitivas ou formas de organização mental, que dotam o sujeito de determinadas capacidades intelectuais.
Cada um dos 4 estádios tem características próprias:
1º No estádio sensório-motor dos 0/2 anos: a inteligência é fundamentalmente sensorial e motora. É uma inteligência prática que vai dar lugar à inteligência representativa do estádio seguinte.
2º No estádio pré-operatório dos 2/7 anos: emerge a função simbólica, a capacidade de representar mentalmente objectos ou acontecimentos através de símbolos, palavras, objectos, gestos. A linguagem torna-se uma das mais importantes manifestações. As palavras, as frases representam pessoas, situações, objectos, acções. A imagem mental e o desenho são também manifestações da função simbólica. Outra característica é o egocentrismo, uma visão unilateral e superficial do real. A realidade encarada por um pensamento mágico é o que a criança sonha e imagina no jogo simbólico.
No 3º estádio das operações concretas dos 7/11: as crianças começam a ultrapassar o egocentrismo. O pensamento é lógico, desenvolve conceitos e é capaz de realizar operações mentais concretamente, se estiver na presença dos objectos, das situações. A capacidade de operar, assegura que já há a reversibilidade de voltar ao seu ponto de origem. É neste estádio que a criança desenvolve a noção de conservação da matéria sólida e líquida e de seguida de peso e volume. Assim como, os conceitos de espaço, tempo, número e lógica. Compreende a relação parte-todo e já é capaz de fazer classificações e seriações.
No 4º estádio das operações formais dos 11/16: aparece um novo tipo de pensamento abstracto, lógico e formal. A criança já resolve problemas sem o suporte concreto, realiza operações formais. Com raciocínio hipotético-dedutivo, coloca mentalmente as hipóteses deduzindo as consequências. Pensa abstractamente, formula e verifica hipóteses. Esta capacidade, abre caminho à reflexão filosófica e científica. Compreende posições diferentes da sua, porém, surge o egocentrismo intelectual, em que o adolescente considera que através do seu pensamento pode resolver todos os problemas e que as suas ideias e convicções são as melhores.
A abordagem Cognitiva Comportamental, é composta pela junção de dois modelos, a racional emotiva e a comportamental.
Albert Ellis 1913/2007, cria e desenvolve a teoria da terapia Racional Emotiva. Gradualmente apercebeu-se que não eram apenas as condições dos distúrbios e experiencias traumáticas que condicionam o processo de crescimento e amadurecimento, mas também a própria negatividade e reforço da auto-destruição. Mais tarde, apercebeu-se que o pensamento negativo é resultado directo da linguagem interna e externa, ou seja, os nossos monólogos e o que ouvimos dos outros.
Ellis define o terapeuta como um professor ou emocional reeducador, preocupado em ajudar os pacientes a mudar os seus padrões de pensamentos irracionais e a mostrar como essa disfunção pode levar a distúrbios emocionais e de comportamento. A base da teoria é que ao adoptar padrões racionais, lógicos ou claros de pensamento, as experiencias emocionais serão positivas.
Ellis cria o modelo A B C: A é o acontecimento. B é o pensamento racional ou irracional, (nosso ou do exterior) ou seja: ”as crenças sobre o acontecimento”. E o C são as consequências emocionais e comportamentais, positivas ou negativas de acordo com as crenças. Nesta teoria, podemos dizer que se desenvolve a filosofia do hedonismo (a procura do prazer e do bem estar). Sendo este modelo directivo, usa bastante o desafio. Exige acção e um plano específico de comportamento, pois situa o paciente entre o presente e o futuro. A linguagem interna é muito importante, ou seja, as crenças irracionais, as superstições e os preconceitos, podem ser modificados através do uso de uma persuasão firme sustentando a mudança. O terapeuta investe também em trabalhos de casa para o paciente. O humor (utilizado de uma forma positiva) é usado no relacionamento terapêutico. Usa-se a visualização criativa projectando imagens no futuro e muito role-play, quer em privado quer em grupo.
O modelo Comportamental, é baseado na observação de acções e reacções, entre o paciente e o espaço que o rodeia, pois os estímulos condicionam e provocam respostas. Este modelo é baseado em experiências com princípios científicos, desenvolvidas por Pavlov 1849/1936 e Watson 1878/1958, este último como puro comportamentalista.
Skiner 1904/1990, comportamentalista radical, é outro teórico que desenvolve os reforços positivos e negativos nos padrões de resposta, procurando a sua extinção, através de uma nova formação de um processo gradual de reforços e tentativas.
Albert Bandura 1925... comportamentalista com noções cognitivas, suporta a ideia de que quando crianças, aprendemos com as experiências dos outros através da observação e imitação e funda a teoria Social Cognitiva.
E dada a importância do aspecto cognitivo nas experiências humanas, logo, passa a ser usado o termo: terapia Cognitiva Comportamental.
Neste modelo cognitivo comportamental, os pacientes são encorajados a observar os seus problemas como resultado de comportamentos aprendidos e que podem ser desaprendidos, sem prolongar análises motivos ou razões. Nesta visão, desordem de comportamento é um evidente pensamento, e a acção disfuncional pode ser clarificada e resolvida através da aprendizagem de novas experiências.
Na relação técnico paciente, as experiências do passado são apenas importantes se influenciam o comportamento presente. Ambos trabalham em conjunto e observam o significado que o paciente dá a emoções e situações, que podem ser pensamentos automáticos negativos ou distorcidos no âmago do pensamento: os conceitos, as crenças, as suposições ou regras, os gatilhos ou ratoeiras do pensamento, assim como os comportamentos que interferem num círculo vicioso.
Como cada paciente é único e tem necessidades únicas, pesquisa-se e não se usa diagnósticos, muda-se emoções, pensamentos e comportamentos num processo dinâmico e progressivo. E a habilidade do paciente exercer controlo sobre o espaço que o rodeia e obter satisfação através de métodos e técnicas, é o objectivo básico deste modelo de comportamento.
Na fase inicial, o terapeuta desenvolve uma fotografia dos problemas do paciente e formula um plano de acção. De seguida, os objectivos específicos são considerados e desenvolvem-se estratégias. A negociação e compromisso entre o Conselheiro e o paciente, é muito importante. Treina-se a assertividade para ensinar o paciente a focar-se nos seus direitos, a afirmar-se e a lidar com os desafios da vida. Pode usar-se a terapia da aversão ou inundação. E por último, este modelo é muito usado em terapia de grupo e especialmente nas adições ou dependências.
A Análise Transacional, também conhecida por TA é inserida na corrente Humanística, no entanto tem também em si uma tendência Cognitiva-Comportamental e até Psicodinâmica. A TA foi inicialmente desenvolvida por Eric Berne 1910/1970 e descrita por ele em 1961. É uma teoria da personalidade assim como também uma análise das várias formas de as pessoas comunicarem e interagirem umas com as outras.
Eric Berne nasceu no Canadá em 1910. Em 1935 estudou psiquiatria, e em 1940 treinou em psicanálise. Mas quando em 1956, já com 46 anos, exerceu para os membros do instituto de psicanálise de New York as suas práticas foram rejeitadas, possivelmente porque Berne tornou-se também demasiado crítico da tradicional psicanálise freudiana. Mas ao terminar o seu serviço militar como psiquiatra, deram-lhe a oportunidade de continuar a trabalhar no desenvolvimento das suas próprias teorias. Ao mesmo tempo, começou a trabalhar com soldados e civis e começou a interessar-se por terapia de grupo. Em 1961 publicou a TA “Análise transaccional” e em 1964 publicou o best-seller “Os jogos que as pessoas fazem”.
No passado, a terapia era acessível e disponibilizada apenas para pessoas que podiam ou doentes institucionalizados. E uma das suas maiores contribuições, foi a sua apresentação da terapia como algo que podia ser claramente entendido não apenas por terapeutas, mas por pacientes e/ou clientes. Ao despir a linguagem terapêutica do seu espaço técnico, ele demonstrou que a terapia não precisava de ser elitista ou inacessível, mas pelo contrário disponível para aqueles que precisavam ou quisessem avaliar-se a si próprios. Logo, a influência da Análise Transaccional foi difundida internacionalmente nas áreas da educação, gestão, industria, cuidados de saúde e comunicação. Eric Berne morreu em 1970 com 60 anos e a sua influência nestas áreas está em constante progresso.
A ideia dos Estados do Ego, é central nesta teoria da TA. Eric Berne desenvolveu 3 estados do ego ou “self”: o estado de Pai, o estado de Adulto e o estado de Criança. Estes estados são comuns a todos nós e governam os nossos sentimentos, pensamentos e comportamentos.
Os princípios dos estados do ego é de que cada pessoa carrega consigo no interior da sua personalidade individual 3 formas separadas de pensar sobre, e reagir ao mundo exterior. Os estados de pensar, sentir e reagir, não são apenas papeis que podem ser adoptados em diferentes situações, mas são de facto, estados psicológicos actuais que foram formados no indivíduo desde a infância.
O estado Pai, é como uma recordação de todas as instruções, socialização e nutrição afectiva que foi passada pelos pais e figuras parentais durante os primeiros 5 ou 6 anos de vida. Muita desta informação é absorvida sem a criança questionar, pois todas as declarações e acções dadas como exemplo, são gravadas neste estado de ego de Pai. Sendo que o processo de sociabilização é uma parte importante da aprendizagem na infância, as crianças são (sem necessidade) frequentemente restritas com comentários tipo: “não faças isto” “para com isso” ou mesmo apenas um “não”. E estas instruções são acumuladas e gravadas pela criança e provavelmente por isto, estas instruções interiorizam-se como parte da sua personalidade. Quando existem divergências entre os Pais, as influências negativas irão dominar na formação do estado individual do ego Pai. Os problemas aparecem porque as pessoas normalmente funcionam com o seu estado de ego Pai, quando este não é apropriado e até mesmo contra produtivo para eles. Se um homem de 50 anos tem problemas no trabalho por ser dominador e ditador com os membros mais novos do staff, provavelmente está a funcionar com o seu ego Pai, o que não será a melhor conduta para obter harmonia com os seus colegas. O estado ego Pai é dividido em Crítico/Controle de Pai versus Nutrição de Pai e representa os dois aspectos das influências dos pais no indivíduo.
Assim como no ego Pai, o significado do estado ego Criança deriva do passado. É como uma segunda gravação que foi feita ao lado do Pai. A diferença é que o ego Criança representa as reacções actuais da criança pequena às pessoas e eventos da sua vida. Estas respostas emocionais são carregadas para dentro da vida adulta e podem ser evocadas a qualquer momento. O ego Criança permanece connosco toda a vida e abrange não só respostas emocionais mas também liberdade e criatividade. Neste estado existem também duas partes, duas maneiras de expressão. A Criança Adaptada e a Criança Livre. Cedo na vida as crianças aprendem rapidamente a adaptar-se às expectativas dos pais e figuras parentais. Sentem muito cedo quando os pais estão agradados ou não, então, ajustam o seu comportamento de acordo e na esperança de que vão conseguir ter aprovação e aceitação. Mas como o que funciona com um pai não funciona com o outro, então respostas diferentes são desenvolvidas para adaptar o relacionamento com cada um dos pais. Uma pequena rapariga pode aprender que o seu pai fica agradado com ela quando ela é silenciosa e passiva, quando a sua mãe, prefere que ela seja mais expressiva e activa. Anos mais tarde, quando adulta, a mulher é capaz de responder da forma que o pai preferia mesmo quando a sua resposta já não é apropriada, e talvez até, disfuncional. Numa reunião, onde os outros membros presentes são predominantemente homens, ela talvez se torne novamente silenciosa, calada e passiva. Neste caso, ela está a responder com o seu estado ego Criança. Se estiver num ambiente feminino, então será mais activa, expressiva e mais participativa, embora também com o estado ego Criança Adaptado. A criança Adaptada continua sobre o controle dos pais ou figuras parentais, no entanto, os sentimentos e comportamentos da criança Livre são diferentes, no sentido em que são espontâneos, escapando à influência inibitória dos pais. No seu estado livre, as pessoas re-experimentam os fortes sentimentos que tiveram na infância, a rebeldia, a raiva, a alegria e o sentido do engraçado. A repressão desta criança Livre na idade e vida adulta, pode diminuir o sentido da diversão, a ausência de criatividade, a curiosidade e a dificuldade de exprimir emoções. No entanto, a expressão inadequada da criança Livre na altura errada e no sítio errado, pode causar problemas.
Quando uma pessoa pensa, sente e comporta-se de uma forma que representa uma resposta realista aos outros e ao ambiente, esta pessoa está no estado de ego Adulto. O Adulto é capaz de uma avaliação objectiva do ambiente e pode fazer julgamentos e tomar decisões como consequência. Pensa e age de uma forma lógica e natural e não será esmagado por emoções fortes do estado de ego da Criança, ou nem esmagado, por informações e regras fora da data ou do tempo, emanadas pelo estado ego Pai. Se a mulher que já foi dada como exemplo, estiver no estado do ego Adulto, ela seria capaz de participar como uma igual, apesar de estarem presentes pessoas de outro sexo. A função do Adulto não é para obstruir a Criança ou o Pai, mas para que tenha um olhar crítico sobre a informação contida em ambos, e então tomar decisões claras baseadas na sua apropriada resposta às circunstâncias presentes.
O modelo de Aconselhamento TA começa por ter uma visão de que a maior parte das pessoas têm todos os recursos, energia, inteligência e responsabilidade necessárias para resolver os seus próprios problemas. E a este respeito, é semelhante à abordagem terapêutica “Centrada na pessoa” e à “Gestalt” que irei abordar de seguida. Porém, muitas das teorias e técnicas da TA são um pouco diferentes destas outras duas. Em TA existe a teoria da personalidade dos “estados” e a análise transaccional como teoria da “comunicação” com os seus significados ou motivos na análise dos “jogos que as pessoas fazem”.
A TA usa-se em 1-1 e em terapia de grupo, mas é muito mais efectiva em grupos, sendo que existe por definição mais comunicação, interacção e mais estímulos com os outros. Existe uma maior preocupação em enfatizar a parte social assim como também o desenvolvimento psicológico pessoal.
A primeira parte da teoria da personalidade dos estados do ego refere-se ao indivíduo, e a segunda parte, a análise transaccional, refere-se ao comportamento social da pessoa. Para uma maior e total compreensão, em terapia, deve-se começar sempre pelos estados do ego e de seguida pela análise transaccional e identificar o “jogo que a pessoa faz”.
Berne usa a palavra “lance” para descrever as mudanças que acontecem entre as pessoas, ou seja, o “lance” como a unidade fundamental das acções sociais, e uma mudança de “lances” como sendo uma transacção, pois as pessoas mudam de “lance” de várias maneiras. Através de um simples beijo, um abraço, um sorriso, um franzir a testa, etc.
Quando a transacção é feita nos estados Adulto/Adulto, é uma transacção “complementar”. Quando estou no meu Adulto e o outro responde-me no Criança ou Pai, ou seja, Adulto/Criança ou Adulto/Pai é uma transacção “cruzada”. Mas se inicio conversa como Criança e recebo resposta como Pai, também é uma complementar, no entanto não é a um nível social, mas a um nível psicológico, de criança para pai ou de pai para criança. Se a conversa, mesmo que complementar, tenha 2 diferentes níveis de estado de transacção, tipo Criança para Pai e de seguida Adulto para Adulto, esta é uma transacção “oculta ou motivada” com segundas intenções.
As pessoas muito normalmente fazem jogos psicológicos que são extensões de transacções “ocultas” e estes jogos são normalmente repetidos de uma forma reconhecida, e na superfície parece ser uma transacção simples e honesta. No entanto o que é expresso, não é o que é sentido na realidade, especialmente na pessoa que inicia a transacção.
As pessoas, por vezes têm os seus jogos favoritos que jogam vezes sem conta, para confirmar a sua posição OK ou não OK, ou as posições que ficaram nos outros.
Um exemplo de um jogo que é muito usado por pessoas que vão a um amigo pedir ajuda e conselhos é o jogo do “sim, mas…” seja qual for a sugestão, “sim, mas…” o amigo continua a tentar ajudar e diz algo, mas outra vez ”sim, mas…”em primeiro lugar, esta é uma das razões pelo qual a sugestão dada nunca vai funcionar, mas por ultimo, o amigo sente-se frustrado, incapaz e sem utilidade e esta é a razão ou o propósito do jogo.
Muito interessante também, e semelhante ao livro de Eric Berne “os jogos que as pessoas fazem” é um outro livro de Jonh Powell “porque tenho medo de te dizer quem sou” que também apresenta jogos, papeis e ou as máscaras que as pessoas usam.
Muitos dos problemas de comunicação que aparecem entre as pessoas podem ser explicados através do uso do modelo dos estados do ego e análise transaccional, pois a maior parte dos problemas diários estão directamente relacionados com a falta de eficiência e de significado na comunicação.
E por isto, nesta abordagem, os pacientes são encorajados a aprender sobre o modelo e a lerem sobre análise transaccional. E para assim encorajar o progresso do paciente na sua recuperação ou mudança, ambos devem fazer um contrato que especifique todos os métodos a serem usados nas sessões de terapia, sendo este contrato um pouco diferente e mais detalhado do usado noutras abordagens.
O paciente é encorajado a dizer o que espera alcançar na terapia e confirma que irá trabalhar com o terapeuta até conseguir os objectivos. E através de todo o processo, é dada uma maior ênfase no tipo de mudança positiva que capacitará o paciente a desenvolver uma grande autonomia no futuro. Os objectivos que ele deseja alcançar são evidenciados de uma forma positiva, de maneira que a atenção é desviada do problema para uma solução, através de uma abordagem mais construtiva ao seu desenvolvimento pessoal.
Este modelo vê as pessoas em geral numa aura positiva e um dos seus princípios básicos, é de que as pessoas são OK. O que significa que todas as pessoas têm mérito, valor, dignidade e importância. Felizmente, existem pessoas ao qual a sua infância lhes deu uma confirmação qualificada do seu próprio valor próprio, que é consistente e suficiente para os capacitar a reter a sua posição na vida: “eu sou OK – tu és OK”.
Mas muitas crianças tiveram uma abordagem oposta de seus pais, e os seus defeitos ou erros são habitualmente apontados de várias maneiras: “ tu és muito lento” “tu és estúpido” “tu és feio” “és um porco”. E as crianças, naturalmente aceitam literalmente as acusações e desenvolvem sentimentos negativos sobre eles próprios. Então, a posição muda para “eu não sou Ok” “tu és OK”. E isto, não porque a maioria dos pais sejam negativos ou destrutivos, mas porque a total experiencia de infância e crescimento é feita com estas dificuldades, desilusões e contratempos que são impossíveis de evitar. As crianças são rebaixadas e pouco ajudadas, vivem da misericórdia dos adultos, e estes, que são grandes e podem fazer tudo, são por definição OK. Nalguns casos, os pais são ausentes ou incapazes de serem amorosos, e quando isto acontece, então a posição é: “eu não sou OK” “tu não és OK”. Estas crianças, aprendem muito rapidamente a tomarem conta e a dependerem delas mesmas, assim como a suspeitar e a desconfiar das outras pessoas. As crianças crescem e a posição que escolhem cedo na vida, permanece com eles.
Todas as posições não OK, são disfuncionais em maior ou menor grau na vida adulta, porque exclui alguma aproximação real ou verdadeira com outras pessoas. Já a posição “eu sou Ok tu és OK” indica auto aceitação e aceitação dos outros. Uma decisão consciente que pode ser feita na vida, é trabalhar na posição “eu sou Ok tu és OK” e esta pode ser alcançada com sucesso por qualquer um que esteja interessado no processo de auto actualização e no desenvolvimento de verdadeira autonomia, e que queira também, examinar de uma forma crítica as circunstâncias do início da sua infância, pois é possível dependendo das circunstâncias, as pessoas mudarem de uma posição para outra, porém, a tendência é as pessoas aderirem a uma principal posição. Contudo, posição OK que as pessoas adoptaram cedo na vida, pode ser mudada quando as pessoas conscientemente decidem mudar.
Berne descreve o “roteiro” da vida, como um pré-consciente plano de vida, de acordo com o que as pessoas vivem nas suas vidas diárias, estruturando os seus relacionamentos e actividades para atender a estas exigências. Ou seja, cada um decide muito cedo na vida como é que irão viver e como é que irão morrer. E este plano, que é o “roteiro” de vida, é como uma profecia dada à criança pelos pais ou figuras parentais e é tão definitivo que ela subsequentemente sente-se obrigada a honra-lo. Mesmo quando as pessoas acreditam que estão a comportar-se com autonomia, elas muito frequente continuam, a agirem de acordo com os seus ditados do “roteiro”.
Exemplos de previsões parentais que governam a vida das pessoas são: “tu nunca serás bom em nada””tu terás sempre uma pobre saúde””tu irás acabar sempre com problemas”, etc. Berne refere-se a isto como o “pagamento ou castigo” do roteiro, assim como outros tipo: ”cala-te” ”desaparece” e por aí. Estas previsões e comentários são os responsáveis pela fase inicial da programação do “roteiro”. Todas estas mensagens podem ter sido verbalizadas ou não verbalizadas, ou mesmo indirectas tipo “tu és tal e qual o teu pai” o que pode querer dizer “ele nunca foi bom e nunca chegou a lado nenhum”.
Mais tarde, quando a criança é maior, outro tipo de mensagens, as “contra-roteiro” são utilizadas pela criança e frequentemente incluem slogans familiares tipo ”trabalha muito” “sê bem-educado” “tem algum orgulho em ti próprio” e por ai. Estas mensagens “contra-roteiro” que vêm do estado de ego Pai que “nutre” e não do Pai “crítico”, estão numa direcção oposta ao programa de roteiro. Assim, os “contra-roteiros” determinam o estilo de vida de cada um, ao mesmo tempo que o “roteiro programado” irá determinar o seu estilo como um ultimato.
Em todos os roteiros de vida, existe também o quebrar do feitiço, que representa uma altura ou um evento, que efectivamente negará o roteiro. E assim, consequentemente, uma pessoa pode ver-se livre do seu roteiro, depois de um certo longo período de tempo, ou então, ao encontro de um evento específico tipo a morte dos pais, ou ainda mais trágico, a sua própria morte.
Berne acreditava que a maioria das crianças recebem programações negativas, mas também, frequentemente, os pais dão aos seus filhos “permissões” positivas. Desde que não exista nenhum elemento de coerção preso a eles, estas permissões representam áreas de livre escolha para a criança. Quem recebeu permissões frequentes na infância irá desenvolver mais autonomia, pois aqui o dar permissões não tem nada a ver com ser demasiado permissivo e ter atitudes indulgentes, condescendentes ou mesmo de total negligência. No modelo TA, este conceito pode ser usado quando o terapeuta dá permissão ao paciente para abandonar o seu comportamento auto destrutivo e encoraja-o a ser bom consigo próprio, pois não tem que seguir uma particular acção que foi passada para ele e que está agora no seu estado ego Pai. Berne acredita que é possível, importante e necessário, ajudar as pessoas desta forma para que as instruções que receberam durante a infância sejam revertidas durante a terapia.
A palavra “potência” é usada para descrever o vigor do terapeuta e a auto-confiança, quando lida com o estado ego Pai do paciente que é normalmente muito forte. E para um terapeuta dar permissão ao paciente para desobedecer ao seu “Pai”, ele deve estar também numa posição de poder dar-lhe protecção, (pelas consequências do paciente exercer uma nova autonomia estabelecida) e então dizer ao paciente que pode contar com o terapeuta quando e sempre que necessite.
Podemos ver que o modelo TA é de alguma forma diferente dos outros modelos. Em primeiro lugar o terapeuta deve estar preparado para dizer ao paciente o que fazer quando necessário. Em segundo lugar, não é a relação entre o paciente e o terapeuta que é o mais importante, (ao contrário da abordagem centrada na pessoa). Aqui, o mais importante, é a tarefa do terapeuta de “curar” o paciente como um doutor deve curar o doente. A palavra “curar” é usada neste contexto, como referencia ao desenvolvimento e à profunda realização da autonomia do paciente.
Berne acreditava, que o terapeuta tinha que ser treinado a observar e a diagnosticar os estados do ego, e para fazer isto, precisa de ter treino apropriado com supervisão e ter feito ele mesmo terapia como paciente/cliente. E este treino, deve incluir teoria psicodinâmica e prática de terapia de grupo. E a todo o momento, o terapeuta deve recordar que ele e o paciente são diferentes, ele funciona como um profissional e o paciente está ali para receber ajuda.
De acordo com as definições da psicodinâmica, aqui as transferências referem-se ao fenómeno de transferir para relacionamentos novos, muitos dos comportamentos ou atitudes e sentimentos que a pessoa teve na infância. Uma criança que teve uma severa e punitiva mãe, por exemplo, pode mais tarde na sua vida, ver outras mulheres em posições de autoridade com receio ou com suspeita. Digamos que a reacção daquilo que é uma “transferência” na psicodinâmica, é aqui na TA uma “transacção cruzada” pois se por exemplo, uma questão é feita pelo terapeuta Adulto ao paciente Adulto, mas este, responde com o seu estado ego Criança ao estado ego Pai do terapeuta, ou seja, está a ver o terapeuta como um pai ou uma figura parental.
Mas o mesmo pode acontecer ao terapeuta, uma contra-transferência, que se refere aos sentimentos que são transferidos do passado do terapeuta para a situação presente com o paciente. O paciente pôr uma questão Adulta e o terapeuta responder por exemplo como Pai.
Na Abordagem Humanística, o Aconselhamento “Centrado na Pessoa” foi criado e desenvolvido por Carl Rogers 1902/1987, pela primeira vez usa o nome de cliente em vez de paciente. A infância de Rogers foi solitária e repressiva. Os seus Pais eram de crenças rígidas e fundamentalistas. Não existia uma atmosfera emocional de espontaneidade e liberdade de expressão. Rogers desenvolveu hobbys e buscas solitárias, mas não desenvolveu as habilidades sociais. Mais tarde, tudo isto teve um profundo impacto na sua vida ao associar a sua pobre auto confiança e inadequação social. Numa viagem religiosa de visita de estudo à China, para participar numa conferência, com 20 anos de idade, Rogers tem um forte despertar espiritual de independência, sendo o ponto inicial do desenvolvimento da sua carreira. Porém, desiste da religião e formou-se em Psicologia. Veio a ser professor de Psicologia, director da universidade central de Aconselhamento e ao mesmo tempo abriu um centro de Aconselhamento onde os professores e estudantes trabalhavam numa base de igualdade. Desenvolveu uma grande experiencia como terapeuta e escreveu muitos livros importantes, como por exemplo “Tornar-se pessoa”, onde o tema central é sempre a importância da individualidade como sendo um competente arquitecto do próprio destino. Como Rogers não desenvolveu algum tipo de comunicação na sua infância e adolescência, quando adulto ele torna-se um expoente em comunicação, não só verbalmente mas na sua totalidade, especialmente na relação terapêutica, que devia ser baseada na aceitação, respeito e confiança. E isto, torna imperativo para o terapeuta “Centrado na Pessoa”, estar em contacto com os seus próprios sentimentos interiores, para então monitorizar e identificar.
Na opinião de Rogers, só através de uma apropriada apreciação a verdadeira aceitação e respeito pelo Cliente pode ser desenvolvida. Numa atmosfera também rodeada de calor humano, as palavras-chave são a congruência, ou a habilidade do terapeuta ser real, genuíno, transparente, com incondicional consideração positiva, ou seja, com uma total aceitação pela pessoa única que o cliente é. Neste modelo empático, a personalidade do terapeuta é de extrema importância, pois de acordo com Rogers, é impossível separar a personalidade do Conselheiro do trabalho que ele faz. De acordo com Rogers, é impossível qualquer pessoa estimar outra, a não ser que esta pessoa esteja pronta para se estimar e cuidar das suas próprias necessidades idênticas. Aqui neste modelo, o Conselheiro não está interessado em avaliar, diagnosticar nem conduzir o Cliente/Paciente. Está sim mais interessado em ouvir na totalidade e responder de acordo com uma profunda compreensão e aceitação. E como estas atitudes têm que ser sinceramente sentidas pelo próprio Conselheiro, este tem que providenciar a sua própria terapia pessoal, desenvolvendo uma maior e profunda compreensão dos seus próprios sentimentos, crenças e atitudes, para então facilitar o desenvolvimento no Cliente. Neste modelo a qualidade do relacionamento terapêutico é do mais importante. Aqui a razão fundamental é a ideia e a crença de que as pessoas têm um percurso de crescimento em direcção a um total preenchimento, por isto, temos pois de as aceitar como seres intrinsecamente bons e merecedores do nosso profundo respeito.
Uma compreensão do auto conceito é muito importante, porque este é desenvolvido através das primeiras experiências, que frequentemente para quem procura aconselhamento são más. E porque normalmente são julgadas e direccionadas por outras pessoas, então vêm à procura de conselhos e perícia como faziam no passado. E isto é um resultado directo das suas negativas convicções. O organismo ou o “self”, que é a real vida interior da pessoa e que está presente desde a nascença e que é a força básica que regula o crescimento fisiológico e psicológico de cada pessoa, tem como objectivo central mais importante crescer, amadurecer e alcançar a auto realização numa auto-actualização. Este instinto está presente em todos nós, mas devido a imposições impostas cedo na vida pelo mundo, o organismo self torna-se obscurecido e até mesmo perdido. Porque cada criança necessita de sentir-se amada aceite e de receber atenção positiva dos pais e dos outros, o organismo self é negligenciado pela construção de um auto conceito que é baseado nas regras internas que as outras pessoas criaram. E se esta atitude de agradar os outros continua através da vida, então o indivíduo não vive de acordo com as suas próprias crenças interiores, necessidades e inclinações.
Aqui, a relação conselheiro cliente não é directiva. Não existe uma grande ênfase nas transferências, pois o conselheiro parte do princípio que aceita e compreende na totalidade o cliente. Os termos usados pelos próprios clientes, para este tipo de relação é de impessoalidade e segurança. Impessoal porque o Conselheiro não é sentido como intruso em todo o processo, o que torna possível para os clientes olhar para sentimentos e experiências que foram negadas ou postas de lado.
Abrham Maslow 1908/1970, contribuiu para a Abordagem Centrada na Pessoa, concepção que se integra na corrente Humanística que pretendia ser alternativa ao comportamentalismo e à psicanálise, correntes consideradas muito deterministas. Maslow partilha de uma concepção que evidencia as potencialidades e as capacidades positivas dos seres humanos, enfatizando o papel da liberdade.
O seu ponto de vista é positivo, optimista e foca-se nas tendências saudáveis presentes em todas as pessoas. Inclui a procura do conhecimento e compreensão, assim como a procura de relacionamentos satisfatórios e o desenvolvimento de experiências emocionais enriquecedoras e únicas.
Maslow criou a Hierarquia das Necessidades Humanas que ele acredita serem responsáveis pela motivação humana:
As necessidades Fisiológicas, as de Segurança, as de Afecto e de Pertença, as de Estima e as de Auto-realização ou Auto-actualização.
As necessidades fundamentais na base da pirâmide seriam as primeiras a serem satisfeitas, e à medida que estas fossem satisfeitas o ser humano ascende na hierarquia para satisfazer outras necessidades mais completas e mais elevadas. Há excepção de certas circunstâncias ou obstáculos, no decurso da sua existência o ser humano progredia na hierarquia até ao topo.
Porém, a salientar o facto de que nem todos os seres humanos organizam as suas necessidades do mesmo modo. A organização das motivações ou das necessidades depende de factores individuais, dos grupos em que a pessoa se integra, das situações que se vivem, das experiências anteriores. E uma necessidade não desaparece apenas por que foi satisfeita.
Os 5 níveis da hierarquia:
As necessidades básicas fisiológicas visam evitar a dor e a morte, são o alimento, a água, o oxigénio, o sono e o calor, são essenciais para a manutenção do estado interno do organismo. As necessidades de segurança surgem quando estas estão satisfeitas.
As necessidades de segurança, física e psicológica, manifestam-se na procura de protecção de doenças e de violência no nosso espaço. Quando estas são ameaçadas, normalmente ocorrem distúrbios emocionais, especialmente problemas familiares e dificuldades financeiras. Uma pessoa com medo prescinde da relação com os outros. Os motivos da auto-estima surgirão de seguida mas apenas quando a pessoa se sente segura.
As necessidades de afecto e de pertença manifestam-se nos relacionamentos íntimos e nos relacionamentos de grupo, no desejo de associação, participação e aceitação por parte dos outros. O indivíduo procura dar e receber atenção, afeição, aprovação e confiança. A negligência destas necessidades ou falta de equilíbrio necessário, também resulta em distúrbios emocionais ou traumas. Num contexto mais amplo, as necessidades quando são interrompidas ou não encontradas, resultam em desorientação e falta de auto-confiança. Em situações extremas o resultado é a depressão. Do ponto de vista terapêutico, na abordagem humanista centrada na pessoa de Maslow ou Carl Rogers, baseada na aceitação, respeito e confiança, com uma crescente compreensão ou empatia, com congruência, autenticidade e com incondicional consideração positiva pela pessoa única, a pessoa normalmente ganha acesso e entra em contacto com o seu verdadeiro potencial e assim, é capaz de lidar com sucesso com os problemas que inicialmente pareciam insuperáveis.
As necessidades de auto-estima (eu prefiro dizer de valor-próprio ou amor-próprio, pois estas vêm de dentro, ao contrário da auto-estima que vem mais de fora) assumem-se no desejo de nos sentirmos competentes e confiantes na nossa habilidade para resolver problemas e no desejo ou necessidade de estatuto social, reconhecimento e apreciação, de sermos através da prática e da actuação, respeitados e reconhecidos por nós e pelos outros. A motivação na participação em actividades sociais. A inseparável estima por nós e pelos outros. Estas necessidades, estão também ligadas à necessidade de realização na procura de sucesso e de prestígio. A frustração desta necessidade gera sentimentos de inferioridade e diminui a auto-confiança.
As necessidades de auto-realização/auto-actualização está no tope da hierarquia de Maslow, estando satisfeitas todas as necessidades, manifesta-se a necessidade de desenvolver o crescimento pessoal e realizar o potencial máximo de cada um na concretização das capacidades pessoais.
Este nível ou estado do Ser, apresenta algumas características comuns de personalidade: a procura individual de significado e desenvolvimento do nosso potencial máximo, na habilidade de tolerar a incerteza ou a dúvida, de ser objectivo e perceber claramente a realidade. Ser espontâneo na expressão, pensamento e acção, assim como ter senso de humor e grande abertura, aceitação, incluindo força e fraqueza, a habilidade de observar para fora do eu os problemas do mundo na sua amplitude, a habilidade de resistir á pressão sem ser deliberadamente inconveniente, de ser mais autónomo e auto confiante do que as outras pessoas se necessário, a habilidade de estabelecer profundas e satisfatórias relações interpessoais. Originalidade e criatividade. A capacidade para elevar ou transcender experiências. Desenvolver a boa vontade, experimentar novas experiências e mudar. Desenvolver a capacidade de ouvir e confiar nos nossos próprios sentimentos. Esforçar-se por ser honesto, evitar fazer jogos e pretensões. Assumir responsabilidade e trabalhar arduamente. Arriscar não ser popular quando o nosso ponto de vista não é igual ao da maioria. Identificar defesas pessoais e ter a coragem de as deitar fora. Experimentar a vida tão intensamente como uma criança, com concentração e interesse. Estes são apenas alguns exemplos.
O desenvolvimento de algumas destas características, é algo que alguns indivíduos inicialmente têm relutância em fazer. Excessiva confiança na opinião dos outros, especialmente em pessoas com autoridade, é algo que é típico nas pessoas com baixa auto estima. O Aconselhamento Psicoterapêutico, pode ser a primeira experiencia em que o cliente observa as coisas de uma nova maneira e saudável ponto de vista. E às vezes, acontece que esta primeira experiência é o catalisador para uma grande mudança. Rogers e Maslow, identificaram um grande défice na sociedade contemporânea e relacionam isto à fundamental e contínua necessidade Humana de crescimento emocional, intelectual e espiritual.
A Gestalt terapia, é também um ramo que vem da corrente Humanística. No princípio do século, um grupo de terapeutas Alemães formaram este ramo e definiram o significado de Gestal como um padrão, uma forma, um molde ou configuração.
O subjecto que mais lhes interessava, era a organização do processo mental e em particular a importância da percepção em determinar a própria visão individual de cada um da realidade. Criaram várias teorias e uma das mais importantes baseia-se na ideia de que a parte total da experiencia sensorial de uma pessoa, é mais importante do que as partes individuais da experiência, no sentido decisivo. Ou seja, o todo é mais importante do que a soma das partes. Então, quando percebemos as coisas, estamos conscientes da estrutura, forma, configuração ou padrão, que é interpretado como um todo e não como um grupo aleatório de assuntos separados.
Esta corrente, tornou-se como que uma reacção, contra o que muitos consideravam ser as limitações de outras escolas, incluindo o Comportamentalismo, que se baseia no reduzir do complexo comportamento humano em simples reflexos condicionados.
Outra influencia importante na Gestalt foi a Filosofia do Existencialismo, que afirma que os seres humanos, não podem fugir à necessidade de lidarem com o sentido da existência e que apenas quando nos focamos neste importante tema, podemos nos sentir livres para tomar decisões e organizar o nosso mundo na maneira que melhor se adapte e convenha à nossa individualidade. A palavra Fenomenologia também está relacionada com a origem da Gestal terapia. Ambas são originárias da filosofia e referem-se à maneira como os indivíduos experimentam a realidade e o ambiente que os rodeia.
Outra importante suposição é a crença de que os seres humanos são motivados por um forte processo inato para o crescimento, para a auto-actualização e para um total preenchimento do seu potencial. Carl Rogers na terapia centrada na pessoa também foi bastante influenciado pela Fenomenologia.
Desenvolvida nos anos 40 por Fritz Perls 1893/1970 e sua mulher Laura, a Gestal também está em dívida com a tradição psicanalítica de onde veio Perls. No entanto, eles posicionaram-se contra a tendência intelectual da escola psicanalítica, mas pela qual foram influenciados em certos aspectos pela teoria de Freud, pois a estrutura da personalidade que Freud definiu, foi mais tarde transformada por Perls na sua descrição topdpg/underdog dos conflitos psíquicos interiores, pelo qual as pessoas sofrem quando tentam agradar continuamente aos outros, às custas das suas próprias necessidades.
Perls no inicio da sua vida profissional também treinou psicanálise e analisou-se a si próprio como parte do seu treino. Perls conheceu Goldstein 11878/1965, que tinha desenvolvido o que ficou conhecido como a abordagem orgânica em terapia, a abordagem que evidencia o processo individual inato em direcção à totalidade. A associação com Goldstein e o seu trabalho, teve um profundo efeito no desenvolvimento de Perls como terapeuta.
Foi também durante este período que conheceu a mulher Laura, uma psicóloga da Gestalt e uma talentosa música. Nesta altura, ambos, Laura e Perls, trocaram a tradicional teoria médica da personalidade, que tende a ver os problemas como consequências de patologias, pela ou a favor de uma compreensão mais positiva baseada na suposição de que as pessoas têm dentro de si próprias todos os recursos para se modificarem.
Após a segunda guerra mudaram-se para os USA e foi durante os anos 60 que a Gestalt foi bastante reconhecida. Perls treinou meditação no Japão e não há dúvida de que as suas ideias e o seu trabalho, foi influenciado por todas as tendências contemporâneas. Foi uma figura controvérsia e usualmente chocava as pessoas com a sua linguagem, o seu estilo ou imagem pessoal. Chegou a usar drogas nesta conhecida altura do flower-power.
Perls considerava-se um importante inovador e um líder. E na sua auto-biografia, é evidente, os problemas familiares que este teve ao longo da sua vida. Estas experiencias, estão relacionadas com o seu envolvimento na psicanálise e mais tarde com a sua própria escola de Gestalt, onde o seu objectivo central é acima de tudo, encorajar as pessoas a experimentar no total a sua totalidade, o seu todo inteiro e a integração de todos os aspectos do seu ser. Fritz Perls, alemão, morreu em Chicago em 1970 com 78 anos.
As palavras-chave desta corrente são o aqui e agora, o todo, e a figura.
De acordo com a teoria, a vida e a mudança encontra-se no Presente. O princípio deste modelo foca-se no que o paciente sente e pensa, e o que faz neste particular momento da sua existência, Aqui e Agora. Não há nenhuma ênfase nas experiências do passado ou infância do paciente, à excepção da experiencia se manifestar no presente em terapia. É possível antecipar o que pode acontecer no futuro, mas contra esta antecipação, ela é com firmeza enraizada no presente.
O Todo, refere que a participação total do paciente, quer física, emocional, intelectual ou espiritual é relevante e acentuada na terapia. A necessidade de integrar todas as diferentes dimensões de um individuo, com o objectivo de alcançar o todo inteiro e saudável. O terapeuta dá atenção não só ao que o paciente diz, mas também à sua aparência, linguagem corporal, tom de voz e seus hábitos. O paciente é encorajado a tornar-se mais consciente do seu eu orgânico e a esforçar-se na sua integração. É encorajado a ser mais ele próprio de uma maneira que talvez nunca tenha sido antes. A aceitar reconhecer e integrar todos os aspectos da sua natureza, incluindo a raiva e o ódio, o ciúme e a irracionalidade que está presente em todos nós.
A palavra Figura, refere-se às necessidades individuais em qualquer momento particular e que precisam de ser satisfeitas. Quando a pessoa funciona bem em relação ao seu ambiente, as suas necessidades são mais claramente entendidas na sua consciência pessoal, em contraste com o seu pano de fundo ou antecedentes. A tarefa para cada pessoa é seleccionar a “figura” (necessidade) mais importante, consoante elas aparecem (no pano de fundo) e satisfazer essas necessidades para que estas (figuras) se desvaneçam no seu pano de fundo. Quando isto é alcançado com sucesso, então a pessoa é libertada para lidar com a próxima figura. Juntas, a figura e o pano de fundo, formam um todo, padrão ou forma, que é a Gestalt. O processo em que cada figura emerge e de seguida é trabalhada ou lidada, é referida, como a formação e a destruição da Gestal.
O que distingue a Gestalt de outros modelos é o grau no qual o terapeuta está preparado para ser ele próprio, a abertura que tem em relação aos seus sentimentos e experiencias, sendo capaz de os partilhar com o paciente quando necessário. A relação é aberta e baseada num diálogo livre entre ambos, o que quer dizer que o terapeuta pode ser um pouco desafiador no que diz ao paciente, obviamente com adequação e sem pressão. O terapeuta usa o desafio de uma forma positiva, por exemplo quando observa a discrepância entre o que o paciente diz e como ele aparenta quando o diz. Se o paciente aparenta estar aborrecido mas insiste em dizer que está a gostar da sessão de terapia, não está consciente de que a sua aparência física é uma clara indicação do verdadeiro estado dos seus sentimentos e será beneficiado se esta incongruência lhe for apontada. Se por exemplo, o terapeuta se sentir aborrecido pela transmissão desses sentimentos, neste modelo, ele deve partilhar o facto com o paciente, para sublinhar o que está a acontecer no actual e particular momento.
O terapeuta precisa de ser um pessoa criativa e inovadora, preparada para improvisar, investir e experimentar uma grande energia e compromisso pessoal com cada sessão. Cada paciente é visto como único, o que requer uma correspondente abordagem única do técnico, semelhante à abordagem de aconselhamento centrado na pessoa, mas aqui ainda mais activa. O que é bom e adequado para um paciente não é necessariamente bom para outro.
Nas suas diversas fontes, a Fenomenologia é a visão Humanística da Personalidade, e as abordagens Centrada na Pessoa e Gestalt aparecem por baixo deste título. A perspectiva humanística/fenomenológica é a forma de cada pessoa perceber e interpretar o mundo como única.
A mais importante motivação humana, é o processo inato de crescimento, que se desimpedido, levará a pessoa a preencher na totalidade o seu potencial. Os pacientes são vistos como capazes de auto improvisarem quando o terapeuta cria as condições certas para que isto aconteça. E as condições ideais para facilitar o paciente são as que promovem a atenção e auto consciência, a expressão de sentimentos e percepções, especialmente quando estas foram escondidas da consciência e inibidoras do crescimento.
Na Gestalt, o terapeuta direcciona a atenção do paciente para os seus aspectos ou comportamentos que o próprio paciente ignorou, dispersou ou rejeitou. E frequentemente a linguagem corporal é sublinhada. Outra técnica usada, é envolver o paciente num tipo de drama pessoal, usando um diálogo imaginário que pode ser com diferentes partes dele próprio, ou com outras pessoas, sejam pessoas vivas ou mortas. O propósito é dar ao paciente a oportunidade de entrar em contacto com sentimentos que tenham sido reprimidos ou ignorados por um longo período de tempo e possam ser expressados. Fritz Perls acredita que quando os pacientes vagueiam entre as experiencias do passado e do futuro, estão a evitar o presente e a escapar á realidade. Às vezes pede-se ao paciente para fazer de conta, interpretando o seu sonho, para que este simbolismo seja mais forte e a imagem tenha mais significado e assim, o seu mundo de sonho torna-se numa forma potente e imediata para nos focarmos no que poderá ter sido previamente escondido ou disfarçado. Porém aqui, a interpretação é definitivamente inadequada, sendo que o sonho pertence somente ao sonhador, assim como também, quais os elementos que têm para ele significado. A forma como o paciente expressa esse significado pode ser facilitada ou ajudado pelo terapeuta, mas sempre com muita sensibilidade, habilidade e competência.
A Gestalt terapia, por último, é simplesmente um reportório de técnicas a serem seleccionadas e aplicadas quando necessário. De facto não existem técnicas prescritas neste modelo. Cada terapeuta é livre de poder utilizar qualquer processo que possa ajudar o paciente a aumentar a sua consciência.
Um foco fundamental é a exploração das formas, onde as pessoas deixaram elas próprias de funcionar apropriadamente, e para ir mais longe ou promover essa exploração, as transferências e as associações livres (que falei atrás na psicodinâmica) também é aqui usada, pois ajuda o paciente a trazer à sua consciência qualquer informação que ajude a clarificar a situação presente.
Fritz Perls acredita que muitas pessoas, compensam a incapacidade de sentirem profundamente ou expressarem emoções, através de uma forte intelectualização, uma tendência que ele observa como um obstáculo à auto-consciência. No entanto, a experiência intelectual foi integrada na Gestalt, com o intuito de preservar o Holismo, a noção do todo a que tanta importância dá.
Tenho particularmente focado a experiencia deste modelo em 1-1 (terapia individual) no entanto, desde o início, Fritz foi sempre a favor da terapia de grupo.
A técnica de uma cadeira vazia, por exemplo, pode ser usada para conduzir um diálogo com uma pessoa ausente, assim como um diálogo com dois lados ou aspectos da mesma pessoa. Um paciente tímido por exemplo, pode assim entrar em contacto com a outra parte da sua natureza mais sociável, da qual pode ter-se separado.
As técnicas da Gestal são potentes e efectivas, mas não podem ser praticadas sem uma grande dose de reflexão e perícia por parte do técnico. Ter a habilidade de ouvir atentamente, observar e responder sempre quando apropriado.
Os termos usados por Fritz Perls para se referir às partes conflituosas de um indivíduo que estão em constante luta por controle e supremacia, são os termos topdog/underdog semelhantes ao ego e superego de Freud, que também aqui representa o conflito psíquico interior.
O Topdog, representa a parte da psique de um indivíduo, a qual tem sempre razão e/ou justificação, e que está preocupada com o controle e a ordem. O topdog alcança isto através da intimidação ou valentia e a sua mania do “devia” que está constantemente a recordar ao indivíduo de que “devia” fazer melhor, “devia ser inteligente, nunca “devia” estar zangado e por ai fora. Estes “devias” foram interiorizados vindo dos Pais (semelhante à teoria de Eric Berne da Análise Transacional) e do próprio backgroud cultural da pessoa, e agora, estão interiorizados e aceites como verdades absolutas, que para serem ajustadas, exercem uma enorme pressão moral no indivíduo.
Do outro lado, o Underdog, é inseguro e sem convicções, incapaz do tipo de agressividade que o topdog tem. Em vez de usar de uma confrontação firme com o seu topdog intimidador, o underdog prefere adiar, desculpar-se e usar racionalizações, em vez de reconhecer o sentimento de culpa que aparece como resultado da sua incapacidade de ir ao encontro das exigências da sua parte topdog.
As pessoas podem despender montanhas de energia a tentarem agradar o seu topdog, ao mesmo tempo, com a esperança de escapar ao rigor através de tácticas underdog.
Um principal foco da Gestalt é a integração destes dois opostos no interior do individuo, o que significa encorajar o paciente a aceitar que elas são ambas, partes válidas dele mesmo, e que podem coexistir confortavelmente lado a lado. Desta forma, a pressão do conflito é reduzida e a lição da divisão topdog/underdog é aprendida.
Um aspecto importante a considerar na Gestalt é o uso da linguagem. Alguns pacientes manifestam uma certa alienação deles próprios na forma como falam, por exemplo através de referências a “isto” em vez de “eu” ou “a mim”. Acontece que assim, eles distanciam-se dos sentimentos traumáticos que desejavam exprimir. Assim como também, por vezes, as palavras são usadas sem uma prévia reflexão suficiente. Na Arterapia, por exemplo, que é um ramo da Gestalt, são usadas formas de arte incluindo o desenho e a pintura, para facilitar os pacientes que têm dificuldade em se expressarem verbalmente. E outra técnica focada na linguagem, é pedir ao paciente para repetir mais devagar, mais alto ou mais cuidadosamente, consoante o caso, pois esta forma, tem o efeito de concentrar a atenção do paciente nele próprio, facilitando-o a entrar em contacto com os seus profundos sentimentos e emoções.
Os princípios da Gestalt, que são centrais a esta corrente, são pois a formação e a destruição. Esta teoria, diz-nos que as pessoas estão constantemente a experimentar necessidades que têm que ser enfrentadas para que a saúde psicológica e fisiológica se mantenha. As necessidades físicas, de relacionamento, assim como as de auto satisfação e auto realização. E é mesmo quando uma pessoa está em estado equilibrado em relação ao seu ambiente, que necessidades ou “figuras” emergem continuamente e são claramente percebidas, em contraste com o seu pano de fundo ou background da sua consciência.
Estas figuras emergentes são a formação da Gestalt, e o processo em que elas aparecem e são lidadas ou resolvidas, é conhecido como a destruição da Gestalt. É um processo que vai e vem, que se não for impedido, assegura de que o indivíduo está a funcionar bem, é saudável e normalmente feliz. Mas se as necessidades não forem enfrentadas e destruídas, então elas enchem desordenadamente o campo de percepção e novas necessidades emergentes tornam-se confusas e difíceis de identificar. Isto significa que uma pessoa que tenha sido incapaz de resolver um problema conflito ou trauma, irá ter dificuldade em lidar com a pressão de outras necessidades consoante elas inevitavelmente se apresentem. Nestas situações, o terapeuta preocupa-se em encorajar o paciente a identificar com clareza e a lidar com os temas que foram deixados por resolver. Sendo que é uma experiencia emocional intensa, o terapeuta necessita de ser bastante competente e cheio de ferramentas, assim como bastante sensível na abordagem que usa.
A Terapia ou Aconselhamento de Grupo tem vindo a ser usado desde 1940. Após a segunda grande guerra, Carl Rogers (terapia centrada na pessoa) elabora um programa para treino de técnicos, que seriam habilitados para ajudar soldados que regressavam da guerra. Os participantes desta experiencia, estavam em primeiro lugar preocupados em desenvolver uma profunda auto-consciência deles próprios, na crença de que assim estariam mais habilitados para melhor compreender os outros. A experiência foi bem sucedida não apenas nesta área de desenvolvimento e crescimento mas também na área interpessoal de habilidades de comunicação. Como resultado, o trabalho de grupo com estas duas ênfases, tornou-se uma forma potente e reconhecida para o aconselhamento e psicoterapia em geral. Em comum com outros movimentos que tiveram a sua força de crescimento nos EUA, o trabalho de grupo rapidamente tornou-se um foco de interesse em Inglaterra e de seguida, muitas das figuras chave no desenvolvimento do trabalho de grupo imigraram para a Europa, especialmente para Inglaterra, onde desenvolveram novas ideias e práticas.
Muito antes do Aconselhamento ou Psicoterapia se tornar popular, pessoas com doenças ou problemas comuns, apareceram juntas a oferecer e a receber apoio e compreensão. Em 1935, o primeiro encontro de alcoólicos anónimos foi feito em Ohio, e a organização que foi formada como resultado deste encontro, provou ser uma das iniciativas mais duradouras e bem sucedidas no mundo inteiro. Em comum com outros movimentos de grupo, os alcoólicos anónimos começaram com pessoas em crise que se juntaram devido as suas mútuas necessidades, e também, porque elas já não podiam sozinhas lidar com as suas condições. Exactamente o mesmo pode ser dito sobre outros grupos de auto ajuda que apareceram e continuam a aparecer quando uma necessidade é por eles identificada. Existem agora incontáveis milhares de grupos de auto ajuda espalhados e em crescimento pelo mundo, e este facto, serve para sublinhar a sua eficiência para as pessoas que se juntam a eles.
Alcoólicos e narcóticos anónimos, são talvez o maior exemplo dos efeitos terapêuticos destes grupos e suas comunidades, assim como outras, incluindo desordens alimentares, esquizofrenia, depressões, diabetes, sexo, jogo ou qualquer adição ou dependência.
Existindo um problema de adição ou dependência, com esta semelhança, muitos grupos integram várias dependências com o mesmo propósito. Os membros sabem que estão no grupo para se apoiarem uns aos outros e a oportunidade de dar e receber apoio é um confidente estímulo para todos. A habilidade de progredir sem ajuda de um especialista acaba por ser uma prova para os elementos, de que eles próprios são capazes de governar a sua própria vida. Aqui, ambas as expressões, a de ter emoções e dar apoio emocional são facilitadas dentro do grupo, onde há grande ênfase na partilha de informação e de formas práticas de efectuar mudanças e alcançar objectivos. Todas as suas práticas e filosofia de vida baseiam-se nos tão conhecidos 12 passos. O sentimento de impotência que as pessoas experimentam quando estão doentes, no meio da adição, dependência ou da condenação social, normalmente vem ao de cima como resultado do efeito terapêutico dos membros dos grupos. Esta é uma das razoes pelo tão drástico aumento durante os últimos 40 anos destes grupos de auto ajuda.
Nas Terapias de Grupo, existem também os grupos de treino focados na educação e no desenvolvimento para a vida, para pessoas que querem aumentar a qualidade da sua comunicação e outras ferramentas. O treino na assertividade, grupos para gerentes, para relacionamentos, grupos de retiro, etc. Existem também os grupos de encontro referidos também como grupos de crescimento, iniciados por Carl Rogers em 1946, que promovem o crescimento pessoal e as habilidades sociais e interpessoais. Os praticantes aprendem a ser mais abertos, expressivos e espontâneos. Pessoas normalmente preocupadas em desenvolver uma profunda consciência de si, que como retorno leva a um grande grau de auto actualização.
Os Terapeutas neste modelo de terapia de grupo, têm uma abordagem não directiva, e as suas funções exigem uma grande dose de compromisso, habilidades, ferramentas e muitas qualidades. Ouvir cuidadosamente e comunicar empatia, compreensão e respeito pelos outros. Têm que ser confidentes com o seu trabalho e terem completado adequadamente treino teórico e prático. Requer sensibilidade, tacto, honestidade e as ferramentas de comunicação verbal e não verbal. Os participantes do grupo beneficiam de feedback que recebem dos outros membros do grupo e de aceitação que sentem receber como resultado da experiencia de grupo. Existem também os grupos de tarefa que são feitos com um propósito ou tema específico para um problema particular, uma mudança ou necessidade. Assim como palestras de variados tópicos.
Os Grupos de Psicoterapia, são compostos por pessoas emocionalmente perturbadas, ou pelo menos, incapazes de lidar com a pressão da vida no seu dia-a-dia. Os membros destes grupos, são também vistos por Terapia Individual. Por vezes, os grupos terapêuticos têm uma orientação psicodinâmica e o terapeuta pode concentrar-se num membro particular do grupo, trabalhar no seu problema e sublinhar formas como ele funciona dentro do grupo.
O terapeuta pode concentrar-se na dinâmica do grupo todo e examinar as transferências de sentimentos e o relacionamento entre os participantes, assim como também as transferências com o terapeuta. Desta forma, pensamentos, sentimentos, fantasias e comportamentos, experimentados antes em relacionamentos, na infância ou adolescência, ou outras experiencias mais recentes, são trazidas ao de cima, identificadas exploradas discutidas e trabalhadas. Então os membros do grupo são encorajados a olharem para as semelhanças dos problemas entre o passado e o presente. O terapeuta usa a importante função de figura central de transferências e os membros têm a possibilidade de trabalhar a dependência inicial no terapeuta e consequentemente desenvolver a sensação de autonomia e maturidade. Nestes momentos, o terapeuta tem que ter a capacidade de ser o mais neutro possível e ao mesmo tempo estar atento e concentrar-se em tudo o que possa acontecer na vida do grupo.
O principal propósito dos grupos de terapia é ajudar os membros a ultrapassar os seus problemas emocionais, psicológicos e comportamentais. E sendo que a maior parte destes problemas são inseparáveis da família ou dos relacionamentos sociais, o grupo é o ideal para os examinar, trabalhar neles e encontrar a atitude mais saudável para com os outros.
Os membros destes grupos terapêuticos, podem ser severamente incapazes na sua vida diária e como resultado serem muito defensivos, agressivos e sem qualquer auto estima. Isto significa que o terapeuta tem que ser muito competente e bem treinado se quiser ser bem sucedido em encorajar a mudança e o crescimento, onde tão pouco potencial é encontrado, pelo menos à superfície. Os grupos terapêuticos, concentram-se intensivamente em geral durante um longo período de tempo, ao contrário dos grupos de encontro.
Os insigths são obviamente mais valiosos quando os participantes os alcançam através dos seus próprios esforços, o que é um dos princípios no trabalho de Grupos Terapêuticos. No entanto, alcançar um insigth pode ser um processo lento especialmente para aqueles que lutam com problemas emocionais fortes. Por isto e por várias razões, existe sempre a terapia individual.
O Psicodrama é uma abordagem que inicialmente foi desenvolvida por Moreno nos anos 30. Este método de terapia de grupo usa o role-play e muita criatividade para ajudar os participantes a expressarem-se mais totalmente. Moreno mudou-se de Viena para os EUA em 1925. Interessava-se particularmente por arte e teatro e adaptou muitas ideias e técnicas destas fontes.
A Terapia Familiar é muito chegada e associada à terapia de casal, e ambas preocupam-se com as necessidades de mais do que um indivíduo. Quando cada membro da família tem uma melhor compreensão das características e dinâmicas da família, os problemas familiares tendem a ser aliviados e uma profunda harmonia é estabelecida.
A Teoria dos Sistemas, refere-se à visão na terapia familiar e noutros modelos de trabalho de grupo, de que as necessidades individuais podem ser adequadamente dirigidas num contexto de comunicação e interacção de grupo. Sendo que os relacionamentos disfuncionais são originados dentro de um sistema, então para improvisar a situação, todas as áreas sociais necessitam de ser consideradas.
Os objectivos básicos de Aconselhamento Individual ou de Grupo são semelhantes na procura de ajudar os pacientes a alcançarem uma grande auto consciência e autonomia, o controle e direcção nas suas próprias vidas e a promoção da auto-estima, amor-próprio ou valor próprio. Ambas as abordagens são usadas para se complementarem uma à outra, mas no entanto existem vantagens e desvantagens numa e noutra.
A Terapia de Grupo possibilita os pacientes a entenderem e desenvolverem a suas habilidades sociais e as experiências podem ser partilhadas com os outros membros e como resultado, uma profunda sensação de comunidade e pertença è cultivado. Os pacientes aprendem das duas maneiras, directa e indirectamente, participando no processo de grupo. Por norma o problema de base é semelhante, por exemplos as dependências. A partilha das experiencias e a identificação é uma das dimensões mais importantes da Terapia de Grupo. Os pacientes aprendem também de cada um dos outros através da observação que serve de modelo para novas ideias e atitudes. O feedback directo pode ser dado pelo Terapeuta aos pacientes como na Terapia individual. No entanto, o feedback também pode ser dado pelos pacientes entre si. Os pacientes que costumam ser mais defensivos, podem ser encorajados a partilhar os seus sentimentos com os outros e ao fazerem-no integram-se, aceitam-se e tornam-se mais confiantes. Tornam-se mais sensíveis aos sentimentos e necessidades dos outros, desenvolvendo a confiança, o respeito e a compreensão mútua fora e dentro do grupo. Pessoas que tenham experimentado no passado dificuldades em estabelecer ou manter relações pessoais próximas, são encorajadas a tentar novas formas de se relacionarem com os outros. Importantes temas por vezes traumáticos, tipo lutos e perdas, são explorados e discutidos, o que pode ser uma nova e libertadora experiencia num ambiente de tanto apoio. Os pacientes vêm de backgrounds variados e trazem vários problemas, ansiedades e dificuldades pessoais, no entanto uma grande parte deles, tendem a estar interessados em crescimento pessoal, auto conhecimento e desenvolvimento, o que consequentemente, vem a acontecer com muitos no desenrolar do processo. No entanto, muitos pacientes, mesmo de início, funcionam adequadamente na sua vida diária e por isso não estão tão incapazes, ao ponto de necessitarem de ajuda medicamentosa ou psiquiátrica. Estritamente falando, esta é uma das diferenças entre os grupos de Aconselhamento Terapêutico e os Grupos Psicoterapêuticos, no entanto o termo Grupos Psicoterapêuticos é agora usado para descrever um amplo e justo leque de práticas de grupo.
A auto-revelação que é dolorosa para os pacientes, pode também ter um efeito profundo e benéfico quando tem como resultado a aceitação de um grupo e não de apenas uma só pessoa. O efeito catártico de confiar e ser aceite por um grupo de pessoas que defendem a confidencialidade, pode ser “curativo”, quando sentimentos de vergonha e culpa são compreendidos por todos os presentes. Mais tarde, através da partilha de informação alcançam-se novas perspectivas e insigths, que podem levar a profundas mudanças terapêuticas para alguns ou para todo o grupo.
O Aconselhamento Individual, 1-1, também tem as suas vantagens. Em primeiro lugar, promove um ambiente seguro para algumas pessoas que possam ter mais dificuldades em baixar as suas defesas. Pois para alguns, pode ser um pouco ameaçador iniciar a terapia de grupo e por isso, podem beneficiar ao terem uma série de sessões individuais. Assim, eles podem desenvolver uma relação de confiança com o terapeuta, para depois poderem participar numa atmosfera mais elevada. A ênfase na livre expressão dos grupos pode ser demasiado desafiador ou até prejudicial para pessoas com uma muito baixa auto estima. Podem ser incapazes de suportar qualquer crítica que lhes seja dirigida (mesmo sendo no entanto construtiva). Muitos problemas emocionais envolvem dificuldades individuais relacionadas com os outros e esta tensão, pode ser mais intensificada do que diminuída como resultado dos desafios do grupo. Nas dependências por exemplo, existe o importante tema da confidencialidade, que embora fácil de manter no 1-1 ou terapia individual, pode ser mais difícil assegurar quando estão envolvidas várias pessoas.
Outra desvantagem da terapia de grupo é que os participantes podem experimentar alguns níveis de catarse emocional sem o tempo adequado, ou oportunidade para trabalhar a fundo, o significado da experiência em termos mais cognitivos ou intelectuais. Mas este défice pode de certa maneira ser remediado e trabalhado quando os pacientes recebem ao mesmo tempo terapia individual.
A capacidade de lidar com o que acontece nas sessões de grupos terapêuticos, depende muito dos níveis de qualidade na utilização de técnicas que o terapeuta possa ter adquirido e do adequado treino que possa ter tido. No treino deve incluir uma extensa experiencia de ter já participado em grupos, assim como ter também os conhecimentos teóricos. Sem esta experiencia ou background, será impossível para qualquer terapeuta fornecer a necessária atenção individual aos pacientes em terapia de grupo e simultaneamente prestar atenção ao processo que envolve todo o grupo como um todo. A possibilidade de o paciente escapar mesmo que dentro do grupo pode acontecer, mas pode ser identificada e desfeita quando é abordada com competência pelo terapeuta. Chama-se a esta atitude do paciente, tentar passar de fininho. Isto por vezes acontece quando um participante é apertado por outro membro de forma inadequada, com hostilidade ou de forma a ridicularizá-lo. Pode ser por várias razões, mas normalmente é devido a uma raiva pessoal e legítima mas que é projectada e desmissada num membro que pode ser mais fraco ou vulnerável. E neste caso, o terapeuta deve ajudar os membros a expressarem-se adequadamente, sublinhando a situação e encorajando uma discussão mais honesta e aberta sobre o que está a acontecer. Quanto à confidencialidade, esta nunca deve ser violada fora do grupo, tudo deve ser feito para proteger este direito e por isso é necessário mencionar este princípio constantemente.
Para liderar um grupo, o terapeuta tem a necessidade de trabalhar no seu próprio desenvolvimento pessoal, praticar e adquirir experiencia com supervisão, para quando aparecerem problemas no grupo, como aparecem normalmente. Por vezes os grupos têm mais do que um líder e existem certas vantagens quando os terapeutas trabalham em pares. O menos experiente tem a oportunidade de aprender e ao mesmo tempo os pacientes estão protegidos contra uma possível inaptidão através da presença de um mais experiente. Os terapeutas podem-se apoiar um ao outro e assim, cada um deles tem mais tempo para observar o processo do grupo, e entre as sessões, podem dar feedback um ao outro. As desvantagens é que podem existir ciúmes ou ressentimentos entre os terapeutas. Alguns desacordos podem aparecer sobre regras ou a responsabilidade dentro do grupo e mesmo que se tente disfarçar, os terapeutas são normalmente picados pelos membros do grupo que tentam rapidamente explorar. Logo, os terapeutas precisam de estar totalmente de acordo sobre o propósito do grupo e as técnicas que se propõem a utilizar, para lidarem com várias situações que podem aparecer durante a sessão. Qualquer sentimento de raiva, incerteza ou frustração, deve ser discutido abertamente entre os terapeutas para que uma atmosfera de confiança e respeito seja promovido entre ambos.
Os terapeutas divergem em termos de características pessoais. Alguns são autoritários e directivos, firmes na sua abordagem, o que de certa forma é semelhante a um benevolente mas severo Pai. Podem ter um forte visão de como as coisas devem ser feitas e ao mesmo tempo ter em consideração a visão dos membros do grupo.
Um líder democrático, preocupa-se mais em incluir todos nas tomadas de decisão e está preparado para ser flexível e adaptar-se de acordo com as necessidades do grupo, no entanto não é fácil manter este estilo, especialmente se defrontar alguma oposição, pois existe sempre a tentação de tirar a linha á menor resistência e tornar-se autoritário.
Um terceiro estilo de líder é o Justo/descontraído, que semelhante ao democrático promove ainda mais ênfase na exploração e experimentação pelos membros do grupo.
Em muitos grupos terapêuticos, o líder desenvolve o seu próprio estilo para se adaptar a diferentes situações, e mais importante ainda, como resposta às necessidades dos pacientes. De alguma forma o estilo do terapeuta também depende da sua própria personalidade, mas a maioria usa uma variedade de estilos que são flexíveis e capazes de se modificarem, assim como também sensíveis às necessidades dos pacientes. A principal meta do conselheiro apesar da sua orientação teórica deve ser facilitar e maximizar o potencial de todos os participantes do grupo. Os membros do grupo precisam de sentir que estão num ambiente que é seguro e onde podem expressar-se de formas que podem não ser aceites fora do grupo, pois as suas partilhas normalmente incluem catarse emocional e outras fortes reacções, como raiva e outros sentimentos negativos. Obviamente, os mais vulneráveis precisam de ser protegidos dentro do grupo, e para este propósito, o terapeuta deve ser sensível às necessidades de todos e capaz de intervir com eficácia quando e da forma que for exigida. Os participantes devem estar conscientes de que o grupo não é livre para tudo, nem é uma licença para abandonar os comportamentos razoáveis e civilizados.
Antes de conduzir um grupo terapêutico, existem vários temas importantes a delinear. O tamanho do grupo ideal é 8 a 10 pessoas. É necessário estabelecer a composição do grupo, idades, tipo de problemas e semelhanças, tipos de dependências, etc. O número, a duração e a frequência dos encontros. Se é um grupo fechado desde o seu início, ou se é um grupo aberto a outros novos membros.
